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O que você vê do topo

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Foto: Unsplash A sua própria fonte havia secado (de novo). Muita coisa havia acontecido em um período relativamente curto. Procurava meios de não se perder em meio às novas atribuições. Sua visão, antes limitada, agora havia se expandido. Passou a ver coisas que não imaginava ou esperava. Experimentara a solidão do topo da montanha. Com quem contar? Um misto de frustração e desapontamento se delineava em cada passo do caminho. Percebeu que precisava ficar atenta a cada dito e não dito e gestos que ecoavam na sutileza das intrincadas relações. De olhos bem abertos, passara a não descuidar de nenhum detalhe para não cair em armadilhas disfarçadas de sorrisos amarelos e cumprimentos forçados.

Abraçando a paz

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Foto: Arquivo pessoal Percebeu pequenas evoluções na construção de si. Aos poucos conseguiu enxergar seus feitos e não mais se depreciar.  Desacelerou.  Parou de correr e andou. Viu flores no caminho. Apreciou. Achou lindo. Tirou o peso do passado. Limpou os entulhos da alma. Ficou leve. Sentiu alívio.  O que antes a fatigava, hoje não mais a abala. Não é frieza, apenas mudou a percepção. Olhar tudo com bons olhos lhe pareceu mais inteligente do que brigar com a razão. Abraçou a paz.  Com as novas lentes, agora vê os desafios, ou o que lhe soa desagradável, como trampolim para o próximo nível.  Olhou para dentro.  Observou. Se impactou, mas gostou do que viu: pequenas, mas significativas revoluções internas.  Decidiu silenciar algumas vozes e também conversar com elas. Passou a questioná-las. Percebeu que o instinto de proteção dessas vozes, na verdade, a mantinha ancorada nas incertezas.  Agora, quando elas aparecem, avalia racionalmente o que fa...

Ausência sentida

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Precisava de um encontro. Abriu a porta e saiu. Já tinha destino certo. Ver o pôr do sol no seu parque preferido,  de frente para uma lagoa. Sentou-se à espera daquela  que, há algum tempo, sentia falta:  sua própria essência. Outras companhias tinham estado com ela  nos últimos meses, menos a mais importante… Medo, angústia e inquietação  eram as mais recorrentes.  Compareciam como trombetas  anunciando que alguma coisa  estava acontecendo – mesmo que  não soubessem o que… Cabia, então, a ela mesma descobrir  o que se passava. De tanto procurar o que havia de errado,  deu-se conta de uma ausência sentida:  sua identidade. Tratou de buscar maneiras de resgatá-la. O desafio era juntar os pedaços  espalhados por vários lugares  e sentir-se inteira novamente. Um exercício que duraria um tempo  que não sabia quanto ao certo,  mas precisava começar… Onde mais estariam os seus pedaços? O que havia provocado tal de...

Contemplação

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Foto: Pexels Parecia ser o que buscava há tempos:  ter tempo para pensar e refletir nas  primeiras horas do dia. Organizar as ideias e os pensamentos  para não ser levada pela maré dos outros. Seguir seu próprio rumo a partir  da conexão consigo mesma. Tal exercício de afunilar a vida  para o que realmente importa,  a estimula a trilhar pelo caminho  do essencialismo.

Ajustando as velas

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Foto: Pexels Por um momento percebeu que havia perdido sua bússola e não sabia mais para onde ir. Para a sua sorte, o mar estava calmo. Aproveitou aquela serenidade para repensar o caminho que havia feito até ali. Sem a bússola para saber o caminho a seguir, apostou nas batidas que pulsavam por vivacidade. Ajustou as velas e seguiu as batidas sussurradas que ecoavam no vazio do momento.

Voltando ao eixo

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Foto: Pexels Era segunda-feira, início da noite. Estava tomando banho quando foi “assaltada” de súbito por uma recorrente sensação incômoda que nunca sabia nomear. Medo era o nome mais próximo que conseguia definir, mas não tinha muita certeza.  Então, recorreu a metáforas. Aos poucos, tal sensação começou a ganhar formas no seu imaginário. Eram rochas que apareciam do nada querendo impedir o curso do rio. O rio era ela mesma querendo fluir, mas não conseguia – o que a fazia sentir-se impotente, frustrada e angustiada. A essa altura já tinha tirado da gaveta um dos seus cadernos de anotações aleatórias e colocado no papel aquelas impressões. Estava mais calma. Com isso, lembrou de algumas palavras cantadas que tinham a ver com aquela narrativa que acabara de escrever. Fez uma busca na internet até encontrar tal melodia. Deitou no sofá, fechou os olhos e se deixou tocar por aquele canto. Tais palavras cantadas jorravam feito corrente unindo-se ao rio que há poucos minutos estava sen...

Retrato

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Foto: Pexels É sobre intensidade. O copo está sempre cheio de alguma coisa. Por isso, transborda. Pingos de lágrima falam por si. Alegria ou tristeza aformoseia o rosto. Não tem meio termo. Não tem disfarce. Não consegue falar, só expressar. Por isso, ninguém entende. Nem precisa. O conflito é interno . E ninguém tem nada a ver com isso. Só precisa encontrar um jeito. De processar o que se passa dentro e fora.
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Maiara Pires
Jornalista, escritora, produtora de conteúdo multimídia, despenseira da graça de Cristo e embaixadora do Reino dos Céus. Escrevo para desenvolver pessoas e a mim mesma e para difundir a sabedoria do alto. Saiba mais: https://linktr.ee/maiarapiresescreve