Refazendo os passos
Havia um abismo entre os dois.
As brincadeiras repetitivas eram disfarces daquilo que não verbalizavam.
A irritação era o principal sintoma do turbilhão de sentimentos escondidos e sensíveis ao toque da pele.
Um dos dois resolveu refazer seus passos, feito policial que reconstitui um crime.
Voltou no tempo e se colocou em posição de observadora.
Se percebeu correndo para o desconhecido.
Tinha ideia dos desafios, mas não como lidar com eles.
Descobriria por conta e risco.
O que havia por trás dessa fuga?
Não sabia.
Mesmo com o mar revolto, colocou os pés na água e andou sobre ele sem saber para onde ir.
Na verdade, sabia.
Mas se sentia presa na jornada.
Queria caminhar sozinha sem que ninguém a atrapalhasse.
Por isso, o desejo de fugir sempre estava presente.
Começou a se sentir enredada e prisioneira internamente.
O sentimento de inadequação era visível, tangível e à flor da pele.
Não sabia o que fazer com aquela sensação que só aumentava.
A solitude era seu respiro, alívio, liberdade – sem a qual, definhava por dentro e por fora.
Precisava disso para se refazer.
Mas o que mais queria era não se incomodar com o que acontecia do lado de fora.
Queria sentir a vida por dentro, sem interferências externas.
Nessa busca, tinha alcançado alguns avanços.
Resolveu seguir confiante de que combateria o bom combate, acabaria a carreira e guardaria a fé.

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