Refazendo os passos

Foto: Pexels

Havia um abismo entre os dois.

As brincadeiras repetitivas eram disfarces daquilo que não verbalizavam.

A irritação era o principal sintoma do turbilhão de sentimentos escondidos e sensíveis ao toque da pele.

Um dos dois resolveu refazer seus passos, feito policial que reconstitui um crime.

Voltou no tempo e se colocou em posição de observadora.

Se percebeu correndo para o desconhecido.

Tinha ideia dos desafios, mas não como lidar com eles.

Descobriria por conta e risco.

O que havia por trás dessa fuga?

Não sabia.

Mesmo com o mar revolto, colocou os pés na água e andou sobre ele sem saber para onde ir.

Na verdade, sabia.

Mas se sentia presa na jornada.

Queria caminhar sozinha sem que ninguém a atrapalhasse.

Por isso, o desejo de fugir sempre estava presente.

Começou a se sentir enredada e prisioneira internamente.

O sentimento de inadequação era visível, tangível e à flor da pele.

Não sabia o que fazer com aquela sensação que só aumentava.

A solitude era seu respiro, alívio, liberdade – sem a qual, definhava por dentro e por fora.

Precisava disso para se refazer.

Mas o que mais queria era não se incomodar com o que acontecia do lado de fora.

Queria sentir a vida por dentro, sem interferências externas.

Nessa busca, tinha alcançado alguns avanços.

Resolveu seguir confiante de que combateria o bom combate, acabaria a carreira e guardaria a fé.


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Maiara Pires
Jornalista, escritora, produtora de conteúdo multimídia, despenseira da graça de Cristo e embaixadora do Reino dos Céus. Escrevo para desenvolver pessoas e a mim mesma e para difundir a sabedoria do alto. Saiba mais: https://linktr.ee/maiarapiresescreve