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Abraçando a paz

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Foto: Arquivo pessoal Percebeu pequenas evoluções na construção de si. Aos poucos conseguiu enxergar seus feitos e não mais se depreciar.  Desacelerou.  Parou de correr e andou. Viu flores no caminho. Apreciou. Achou lindo. Tirou o peso do passado. Limpou os entulhos da alma. Ficou leve. Sentiu alívio.  O que antes a fatigava, hoje não mais a abala. Não é frieza, apenas mudou a percepção. Olhar tudo com bons olhos lhe pareceu mais inteligente do que brigar com a razão. Abraçou a paz.  Com as novas lentes, agora vê os desafios, ou o que lhe soa desagradável, como trampolim para o próximo nível.  Olhou para dentro.  Observou. Se impactou, mas gostou do que viu: pequenas, mas significativas revoluções internas.  Decidiu silenciar algumas vozes e também conversar com elas. Passou a questioná-las. Percebeu que o instinto de proteção dessas vozes, na verdade, a mantinha ancorada nas incertezas.  Agora, quando elas aparecem, avalia racionalmente o que fa...

Ausência sentida

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Precisava de um encontro. Abriu a porta e saiu. Já tinha destino certo. Ver o pôr do sol no seu parque preferido,  de frente para uma lagoa. Sentou-se à espera daquela  que, há algum tempo, sentia falta:  sua própria essência. Outras companhias tinham estado com ela  nos últimos meses, menos a mais importante… Medo, angústia e inquietação  eram as mais recorrentes.  Compareciam como trombetas  anunciando que alguma coisa  estava acontecendo – mesmo que  não soubessem o que… Cabia, então, a ela mesma descobrir  o que se passava. De tanto procurar o que havia de errado,  deu-se conta de uma ausência sentida:  sua identidade. Tratou de buscar maneiras de resgatá-la. O desafio era juntar os pedaços  espalhados por vários lugares  e sentir-se inteira novamente. Um exercício que duraria um tempo  que não sabia quanto ao certo,  mas precisava começar… Onde mais estariam os seus pedaços? O que havia provocado tal de...

Contemplação

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Foto: Pexels Parecia ser o que buscava há tempos:  ter tempo para pensar e refletir nas  primeiras horas do dia. Organizar as ideias e os pensamentos  para não ser levada pela maré dos outros. Seguir seu próprio rumo a partir  da conexão consigo mesma. Tal exercício de afunilar a vida  para o que realmente importa,  a estimula a trilhar pelo caminho  do essencialismo.

Ajustando as velas

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Foto: Pexels Por um momento percebeu que havia perdido sua bússola e não sabia mais para onde ir. Para a sua sorte, o mar estava calmo. Aproveitou aquela serenidade para repensar o caminho que havia feito até ali. Sem a bússola para saber o caminho a seguir, apostou nas batidas que pulsavam por vivacidade. Ajustou as velas e seguiu as batidas sussurradas que ecoavam no vazio do momento.

Voltando ao eixo

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Foto: Pexels Era segunda-feira, início da noite. Estava tomando banho quando foi “assaltada” de súbito por uma recorrente sensação incômoda que nunca sabia nomear. Medo era o nome mais próximo que conseguia definir, mas não tinha muita certeza.  Então, recorreu a metáforas. Aos poucos, tal sensação começou a ganhar formas no seu imaginário. Eram rochas que apareciam do nada querendo impedir o curso do rio. O rio era ela mesma querendo fluir, mas não conseguia – o que a fazia sentir-se impotente, frustrada e angustiada. A essa altura já tinha tirado da gaveta um dos seus cadernos de anotações aleatórias e colocado no papel aquelas impressões. Estava mais calma. Com isso, lembrou de algumas palavras cantadas que tinham a ver com aquela narrativa que acabara de escrever. Fez uma busca na internet até encontrar tal melodia. Deitou no sofá, fechou os olhos e se deixou tocar por aquele canto. Tais palavras cantadas jorravam feito corrente unindo-se ao rio que há poucos minutos estava sen...

Retrato

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Foto: Pexels É sobre intensidade. O copo está sempre cheio de alguma coisa. Por isso, transborda. Pingos de lágrima falam por si. Alegria ou tristeza aformoseia o rosto. Não tem meio termo. Não tem disfarce. Não consegue falar, só expressar. Por isso, ninguém entende. Nem precisa. O conflito é interno . E ninguém tem nada a ver com isso. Só precisa encontrar um jeito. De processar o que se passa dentro e fora.

Rabiscos

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Foto: Pexels Tinha compulsão por espaços em branco. Acreditava que eles tinham que ser preenchidos. Por isso, guardava tantos papéis à espera de completar os rabiscos. E dar sentido aqueles escritos. Para, então, se desfazer deles. Parecia querer emoldurar as palavras rabiscadas. A fim de eternizar seus significados.

A voz da esperança

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Foto: Pexels Podia ouvir a esperança na própria voz. Na voz sussurrada da consciência.  Estava cansada dos dias tabelados. Ansiava por novidade de vida. Por sentidos em cada respiro. Estava convicta, mas ao mesmo tempo angustiada p or se sentir sozinha naquela busca. Estudava maneiras de transpor tal insatisfação p ara colocar em prática seus novos anseios, s em depender da vontade ou compreensão d e outrem. Havia parado de se culpar por suas esquisitices  – u m grande passo na sua nova jornada e  que a fazia sentir-se livre d aquelas correntes invisíveis. Liberta do cativeiro, e stava disposta a explorar o desconhecido s em medo do que iria encontrar. Guiada pela voz da esperança.

Autoaceitação

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Foto: IA/Gemini Havia cansado de lutar contra o que nem ela sabia. Seus passos eram monitorados por si mesma p ara saber se tinha algo errado. Como saberia? Baixou a guarda e resolveu se aceitar como era, c omo se sentia bem. O tempo diria se haveria algo a ser consertado, s em abrir mão da própria essência e d a leveza que estava aprendendo a cultivar.

Refazendo os passos

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Foto: Pexels Havia um abismo entre os dois. As brincadeiras repetitivas eram disfarces daquilo que não verbalizavam. A irritação era o principal sintoma do turbilhão de sentimentos escondidos e sensíveis ao toque da pele. Um dos dois resolveu refazer seus passos, feito policial que reconstitui um crime. Voltou no tempo e se colocou em posição de observadora. Se percebeu correndo para o desconhecido. Tinha ideia dos desafios, mas não como lidar com eles. Descobriria por conta e risco. O que havia por trás dessa fuga? Não sabia. Mesmo com o mar revolto, colocou os pés na água e andou sobre ele sem saber para onde ir. Na verdade, sabia. Mas se sentia presa na jornada. Queria caminhar sozinha sem que ninguém a atrapalhasse. Por isso, o desejo de fugir sempre estava presente. Começou a se sentir enredada e prisioneira internamente. O sentimento de inadequação era visível, tangível e à flor da pele. Não sabia o que fazer com aquela sensação que só aumentava. A solitude era seu respiro, alívi...

Normalidade aparente

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Foto: Pexels Por trás do sorriso, um desconforto latente. Nas palavras proferidas se escondia uma torrente prestes a inundar seus interlocutores. O olhar perdido tentava convencer uma normalidade inexistente.  Suas pupilas, na verdade, revelavam um misto de espanto, assombro e pavor, denunciando que suas expectativas haviam sido sumariamente reduzidas a pó.  Vivia os dias sem saber o que fazer a cada nova tarefa, ao mesmo tempo que tentava, sem sucesso, se adaptar ao que havia caído em seu colo. Pausou um momento para processar aquele turbilhão inesperado. Sua ausência foi notada. O que aconteceu? Não tinha respostas. Estava petrificada. Pensou em desistir.  Mas se deu conta de que havia batalhas ainda maiores enfrentadas diariamente por quem veio primeiro. Se conseguiram lutar e vencer, também conseguiria. Se levantou e encarou o que lhe causava todas aquelas sensações de impotência.

Você é um livro

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Páginas em branco. Poemas, poesias ou áreas do conhecimento. Palavras desenhando os pensamentos. Caneta, lápis, tinta ou pincel Dão o compasso das formas, rabiscos, n otas, frases, parágrafos ou capítulos. Seja como for, s olte as represas.  Deixe fluir para o papel a s memórias do coração. E seja autor de sua própria história.

O que se passa

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Foto: Unsplash Um turbilhão de palavras. Pensamentos aleatórios.  Todos passando como carro desgovernado. Tento entender o que se passa, o que se fala. Observo. Olho para o alto. Espero o momento de tudo se acalmar Para poder discernir o exterior e o interior.

Palavras empoeiradas

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Era domingo.  O baú estava empoeirado. Abriu e pegou os rabiscos. Anotações aleatórias. Folheou rapidamente e  os mudou de lugar a o alcance dos dedos p ara futuras consultas e  resgatar palavras soltas e s ignificados. Finalmente daria vida a quelas palavras rabiscadas. Será? Foi o primeiro passo. Aguardará o próximo.

De volta para dentro

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Faltavam dois dias para tudo voltar como antes: a rotina do trabalho, o trânsito e o pouco tempo que lhe restava durante a semana. O que fazer e como preencher aquelas pouco mais de 48 horas… Para não fazer tudo em um dia só e não se sentir fatigada, dividia as tarefas  domésticas fazendo uma coisa de cada vez. Estava feliz com a mudança de casa para um lugar mais espaçoso com armador de rede e área verde. Não tardou a armar a sua – guardada há tempos, na esperança de um dia poder usá-la. Aquela mudança havia chegado muito antes do que esperava para seus rituais de leitura e descansos aleatórios. Queria curtir cada cantinho daquele novo ambiente, mesmo que ainda não fosse o seu. Só de não se sentir sufocada com o pouco espaço no cubículo anterior, já era um alívio. Na maior parte do dia, dividia o espaço com a solitude, sua fiel companheira. Entre uma tarefa e outra, tirava tempo para não pensar em nada e se esparramar naquelas horas de descanso mental. Vez ou outra deixava uma mús...

A caminho do nada

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Foto: Unsplash O passado que insistia em se fazer presente levou Samuel a um estado de inquietação que não o deixava se satisfazer com nada.  Na verdade, nem ele sabia o que o satisfaria.  Só sabia o que não queria.  Perguntado sobre o seu futuro, não soube responder nem para si mesmo. Deixou os dias lhe levarem. Para onde? Também não sabia. Continuou sua jornada a caminho do nada.

Minério de palavras

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Foto: Lorena Santos Palavras molhadas de saudades da água que pingava na pele. Sons e sensações há muito não ouvidos e sentidos naquele curto espaço de tempo reservado para explorar-se e nutrir-se. Foi naquela atmosfera que minerou seus recursos. Garimpou-se o quanto pôde para levar dali o máximo de recursos naturais e lapidar preciosas palavras.

O som das palavras

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Foto: Unsplash Os ventos sopraram fortes em sua direção q ue mal deu tempo de se esquivar. Quando percebeu estava envolta naquele redemoinho. Ficou zonza. Lutava com todas as forças para sair daquela espiral. Sons ocos. Assim traduziu o que chamou de ventos de doutrina p ara as muitas vozes que a diziam o que fazer. As vozes vinham de todos os lados:  “Você tem que isso” “Você tem que aquilo” E já não mais ouvia a voz da própria consciência o u dos pássaros ou das correntes das águas. Ficou surda. Sem audição, os seus sentidos ficaram limitados e já não se comunicava de forma plena. Então, um lampejo de inconformismo foi despertado p or uma melodia que saltou da memória. Quis ouvir de novo o som dos pássaros, d as correntes das águas, da voz das palavras. As suas palavras. Lutou, se esforçou e saiu da espiral, d os ventos que lhe diziam o que fazer. Compôs uma canção e cantou para a sua alma. Gostou do que ouviu, guardou no baú da memória e nunca...

Não abafe o silêncio

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Foto: Unsplash O que aconteceu com o silêncio? Esse companheiro tão familiar Foi abafado pelos diversos ruídos A poluição sonora fez cessar o som da alma Não se ouvia mais a voz de dentro Os barulhos externos traziam confusão e desconforto Os sonhos sonhados de dia ou de noite se recolheram adormecidos Não encontravam mais o repouso da alma para germinar Ela olhava para o lado e para o outro e não encontrava seu lugar Se espremia para caber nos assentos alheios rodeados de barulhos Até que um dia resolveu se retirar e procurar seu companheiro.

Pingos de solitude

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Foto: Maiara Pires A chuva do lado de fora trazia de volta a sua própria companhia. Eram pingos de solitude que inundavam a sua existência. Sem aquele oceano se sentia como peixe fora d’água: c om dificuldade para respirar até definhar.  Vindo a solitude, porém, regava as próprias raízes. Se renovava e tudo florescia, ganhava cor. Cor de esperança, cor de serenidade. Cor de vibração, cor de liberdade. Cantava, sorria, falava, escrevia. Transbordava. Estava pronta para o voo da renovação.
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Maiara Pires
Jornalista, escritora, produtora de conteúdo multimídia, despenseira da graça de Cristo e embaixadora do Reino dos Céus. Escrevo para desenvolver pessoas e a mim mesma e para difundir a sabedoria do alto. Saiba mais: https://linktr.ee/maiarapiresescreve